julho 2, 2026
AnvisaBrasilCannabis MedicinalCiênciaSaúde

Cannabis medicinal: decisões da ANVISA colocam regulação novamente em debate

O que esperar da agência de regulação em relação à Cannabis Medicinal neste momento?

A ANVISA está novamente perdida em relação à Cannabis Medicinal no Brasil? A pergunta que abro este artigo não é retórica, mas um grito de angústia que ecoa nos lares de milhares de famílias brasileiras. A cada nova “deliberação” da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a sensação é de um déjà vu doloroso: a saúde e a dignidade dos pacientes continuam reféns de uma burocracia que parece mais perdida do que cautelosa.

O histórico da luta pela Cannabis Medicinal no Brasil é marcado pela coragem das famílias, que tiveram que ir à Justiça para garantir o direito básico à vida. A cada passo que a ciência avança, a regulamentação no Brasil patina, ignorando a urgência de quem não pode esperar. A ANVISA, que deveria ser a guardiã da saúde pública, transforma-se, ironicamente, no maior obstáculo para o acesso.

A mais recente notícia, a prorrogação do prazo dado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a regulamentação do plantio até Março de 2026, é mais um capítulo dessa novela de adiamentos. Para quem vive a dor diária de um ente querido, a promessa de “mais tempo” soa como escárnio. É a oficialização de que a saúde de nossos filhos e familiares não é uma prioridade.

A cereja do bolo da inércia é o Edital de Chamamento Nº 23/2025, publicado pela Agência para “reunir evidências científicas” sobre o cultivo. Com quase uma década de uso medicinal no país, e com a ciência global já consolidada, questionamos: que evidências a ANVISA ainda precisa? Essa atitude soa como uma tática protelatória, um atestado de que a Agência se recusa a encarar a realidade.

O impacto dessa inação é sentido diretamente no bolso e na alma das famílias. Ao barrar o plantio nacional, a ANVISA nos condena à importação cara e burocrática, transformando o tratamento em um privilégio para poucos. A vida não pode ser um luxo, e a saúde não deveria depender da capacidade financeira de uma família.

Por trás da lentidão regulatória, reside um preconceito velado que se esconde sob a capa da “cautela sanitária”. É o medo irracional da planta que ainda domina o debate, em detrimento da compaixão e da evidência científica. A politicagem, mais uma vez, fala mais alto do que o direito à vida, como já criticamos em outras ocasiões.

A questão da Cannabis Medicinal é, acima de tudo, humana. É sobre a mãe que vê o sorriso do filho retornar, sobre o pai que recupera a esperança, sobre a dignidade de um paciente que encontra alívio. É a história da minha Anny, e de tantas outras, que provam que a planta é remédio, e não um tabu a ser mantido.

Para aqueles que ainda carregam o preconceito, é preciso um olhar de empatia. Não estamos falando de “drogas”, mas de um tratamento validado que devolve qualidade de vida. A luta não é ideológica, mas existencial. É um apelo à razão e ao coração, para que separem o mito da medicina.

A solução para o acesso justo e soberano sempre esteve na mesa da ANVISA: o plantio. A liberação do cultivo para fins medicinais e de pesquisa é o caminho mais rápido para baratear o custo, garantir a qualidade e a autossuficiência do Brasil. A insistência em ignorar essa via é o que nos faz questionar a real intenção da Agência.

Chega de esperar por Março de 2026, ou por qualquer outra data imposta pela inércia. A ANVISA precisa de coragem para assumir seu papel de liderança, colocando a vida acima da ideologia e do medo. A saúde não espera, e a luta das famílias por um acesso pleno e justo à Cannabis Medicinal continuará, com a certeza de que a verdade e a humanidade estão do nosso lado.

Norberto Fischer

Norberto Fischer é pai de Anny Fischer, primeira brasileira autorizada legalmente a importar o extrato da maconha para uso medicinal. Tornou-se articulador político no Brasil, com repercussão internacional, destacando-se no ativismo pelo direito ao acesso, distribuição pelo SUS, custeio dos tratamentos pelos planos de saúde, plantio e produção nacional por empresas, ONGs e autocultivo.

Fonte: Sechat
Foto: Pexels – Lucas Pezeta

Related posts

Teleatendimento para mulheres vítimas de violência chega ao SUS

Admin

Centro de Reabilitação capacita mães atípicas em primeira turma de curso para Auxiliar de Desenvolvimento Infantil

Admin

Catu: saúde realiza mutirão e avança na redução da fila de mamografias

Admin

Leave a Comment