junho 13, 2026
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O que a ciência diz sobre o canabigerol (CBG), um composto da cannabis

Revisão científica publicada na revista Molecules reúne evidências sobre o canabinoide não psicoativo e discute seu potencial terapêutico em processos como inflamação, dor e metabolismo, mas especialistas alertam que ainda faltam estudos clínicos em humanos

O avanço das pesquisas sobre cannabis medicinal tem ampliado o olhar da ciência para além dos compostos mais conhecidos da planta, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC).

Entre as moléculas que vêm despertando interesse crescente da comunidade científica está o canabigerol (CBG), um canabinoide não psicoativo presente na Cannabis sativa.

Uma revisão científica publicada na revista Molecules analisou os principais estudos disponíveis sobre o composto e reuniu evidências sobre seus possíveis mecanismos de ação no organismo.

O trabalho discute pesquisas que investigam o papel do CBG em processos biológicos como inflamação, dor, neuroproteção e metabolismo energético.

Apesar do interesse crescente, os próprios autores destacam que grande parte das evidências disponíveis ainda vem de estudos pré-clínicos, realizados em laboratório ou em modelos animais.

O que é o CBG

canabigerol (CBG) é um dos mais de cem fitocanabinoides identificados na planta Cannabis sativa.

Diferentemente do THC, ele não apresenta efeito psicoativo, o que significa que não provoca alterações de percepção ou consciência associadas ao uso recreativo da cannabis.

A nutróloga Dra. Paula Pileggi Vinha, doutora em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora na área de medicina canabinoide, explica que o interesse científico pelo composto tem crescido justamente por suas características farmacológicas.

Segundo a médica, o avanço das pesquisas com cannabis medicinal ampliou o foco da ciência para além dos compostos tradicionalmente estudados.

“O CBG é uma molécula extremamente interessante do ponto de vista biológico. Mesmo aparecendo em concentrações menores na planta, ele tem um papel central na formação de outros canabinoides e também apresenta interações relevantes com diferentes sistemas celulares”, afirma a médica.

“Durante muito tempo, a maior parte das pesquisas ficou concentrada no THC e no CBD. Mas hoje sabemos que a planta possui uma grande diversidade de compostos ativos, e muitos deles ainda estão sendo investigados. O CBG é um exemplo de molécula que pode trazer novas perspectivas terapêuticas.”

Diferença entre CBG, CBD e THC

O “canabinoide mãe” da cannabis

Um dos aspectos mais relevantes do CBG está relacionado à própria bioquímica da planta de cannabis.

O CBG é frequentemente chamado de “canabinoide mãe” porque atua como o composto base a partir do qual outros canabinoides essenciais são sintetizados pela planta.

Durante o desenvolvimento do vegetal, o CBG é o ponto de partida químico que, por meio de processos enzimáticos, permite a formação de substâncias amplamente conhecidas, como:

• CBD (canabidiol)
• THC (tetrahidrocanabinol)
• CBG (canabigerol)

Embora sejam derivados da mesma planta, os três compostos possuem propriedades farmacológicas bastante diferentes.

O médico Diego Araldi, pós-graduado em cannabis medicinal, explica que o THC é o canabinoide mais conhecido justamente por seus efeitos psicoativos.

“O THC tem uma ligação muito forte com os receptores CB1 do sistema endocanabinoide, que estão concentrados principalmente no cérebro. Essa interação é o que provoca os efeitos psicoativos característicos da substância”, explicou o pesquisador. 

No caso do CBG, os mecanismos de ação ainda estão sendo investigados.

“Os estudos sugerem que o CBG pode atuar em múltiplos alvos biológicos, incluindo receptores ligados à dor, inflamação e atividade neurológica. Essa diversidade de interações é justamente o que desperta o interesse da comunidade científica.”

“O canabidiol não atua da mesma forma que o THC. Ele interage com diferentes sistemas de sinalização celular envolvidos na regulação da ansiedade, da inflamação e da excitabilidade neuronal. Por isso tem sido amplamente estudado para diferentes condições médicas.”

Como o CBG pode agir no organismo

Assim como outros canabinoides, o CBG pode interagir com o sistema endocanabinoide, um sistema biológico presente no corpo humano responsável por ajudar a regular diversas funções fisiológicas.

Esse sistema tem como função principal manter o equilíbrio interno do organismo, processo conhecido como homeostase.

Segundo a Dra. Paula Pileggi Vinha, essa interação é uma das razões pelas quais o CBG vem sendo investigado com maior atenção.

Entre as funções reguladas estão:

• regulação da dor
• processos inflamatórios
• controle do apetite
• sono
• memória
• metabolismo energético

“Os estudos indicam que o CBG pode modular diferentes vias celulares envolvidas na inflamação e na sinalização neuronal. Isso abre possibilidades interessantes de investigação em áreas como doenças inflamatórias e neurodegenerativas.”

Fonte: Sechat
Image by jcomp on Freepik


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