julho 2, 2026
Sindicato

Justiça suspende eleições do Sindimed por indícios de fraude no processo eleitoral

Após sucessivas denúncias de irregularidades no processo eleitoral do Sindicato dos Médicos da Bahia, a Justiça do Trabalho determinou, nesta terça-feira (7), a suspensão imediata das eleições previstas para os dias 14 e 15 de abril. A decisão foi proferida pela 17ª Vara do Trabalho de Salvador, e interrompe quaisquer atos de votação, apuração, proclamação de resultado e posse.

Segundo o médico Tiago Almeida, que representa a Chapa 2 – Renova Sindimed, grupo de oposição à atual diretoria do Sindimed-BA, “a decisão aponta que o processo eleitoral é marcado por reiteradas manobras da atual gestão na tentativa de manipular a democracia interna, a transparência e, principalmente, a vontade dos médicos”.

Entre os problemas apontados estão a inclusão de pessoas que não são médicas na lista de votação, inclusive advogados ligados ao sindicato, o uso de registros de médicos falecidos e a exclusão de centenas de profissionais aptos a votar, sem critério transparente. A comissão eleitoral também é questionada por atuar, segundo a oposição, como extensão da atual diretoria, sem autonomia e sem isenção.

As contestações não param aí. A chapa afirma ainda que o regimento eleitoral foi montado de forma antidemocrática, restringindo a livre manifestação dos médicos, e que houve tentativa de impugnar a oposição mesmo após inscrição regular. Para a chapa, o conjunto desses fatos revela uma tentativa de controlar o processo eleitoral e impedir que a categoria se manifeste livremente.

Desvios de recursos

As denúncias também atingem a gestão da entidade. Segundo a oposição, já havia questionamentos sobre o uso de recursos do sindicato para pagamento de salários, jetons, diárias e empréstimos, além da reprovação de contas pela própria categoria. Na avaliação da chapa, a mesma diretoria que desrespeitou a vontade dos médicos na condução do sindicato tentou repetir o método na eleição.

Para Almeida, “o que os médicos esperam são eleições limpas e transparentes, capazes de resgatar a credibilidade de uma instituição que já foi protagonista nas lutas da categoria e que hoje enfrenta escândalos e uma profunda crise de confiança, justamente em um momento de intensa precarização da medicina”, finalizou.

Foto: Divulgação

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