maio 8, 2026
Trabalho Escravo

Resgatados de trabalho escravo se tornam especialistas na temática, após formação inédita realizada em Salvador

Pela primeira vez no país, grupo formado por pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão, de diferentes regiões do país, é capacitado para atuar de forma organizada na prevenção a essa prática, com base em suas próprias experiências

Um grupo formado por 13 pessoas de diferentes regiões do Brasil, que vivenciaram o trabalho análogo à escravidão e foram resgatadas, participou, em Salvador, de uma formação inédita. A iniciativa tem como objetivo capacitar essas pessoas como lideranças no enfrentamento à escravidão moderna, reconhecendo-as como especialistas a partir de suas próprias vivências.

A formação reuniu profissionais do Direito, incluindo a participação de uma juíza do trabalho aposentada, além de outros especialistas, abordando temas como direitos humanos, estrutura do Estado brasileiro, trabalho infantil, tráfico de pessoas e direitos trabalhistas.

“No decorrer dos anos, o Brasil tem tratado desse tema tão relevante, que é a permanência do trabalho análogo à escravidão, um crime bárbaro que atinge pessoas em todo o país. No entanto, é fundamental que essas discussões incluam a voz de quem sobreviveu a essas experiências. São essas pessoas que podem contribuir de forma decisiva na identificação de outras vítimas e na elaboração de leis e políticas públicas eficazes”, afirma Patrícia Lima, advogada, mestre em Educação de Jovens e Adultos, especialista em Direito Público e presidente do Instituto Trabalho Decente.

O objetivo do Instituto Trabalho Decente, com a formação do grupo de lideranças especialistas em escravidão moderna, é fortalecer o protagonismo de quem vivenciou diretamente essa realidade, ampliando sua atuação na identificação de casos, na melhor forma de acolhimento de outras pessoas exploradas e na construção de políticas públicas voltadas à erradicação do trabalho escravo contemporâneo.

Resgates no meio urbano superaram
Em 2025, foram resgatados 2.772 trabalhadores e trabalhadoras em ações de combate ao trabalho análogo à escravidão, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados revelam que 68% das pessoas identificadas em condição de trabalho escravo no Brasil foram resgatadas no meio urbano, superando o número de ocorrências no meio rural, cenário distinto do observado em anos anteriores. O balanço do MTE também demonstra que o trabalho escravo moderno não se restringe a atividades econômicas específicas, sendo identificado em áreas distintas como a colheita, o desmatamento, a mineração ilegal, a indústria têxtil, o trabalho doméstico, entre outras.

Fonte: André Santana
Image by freepik

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