Mais do que uma expressão artística, a música tem se consolidado como uma potente ferramenta de imersão cultural. Em Salvador, cidade marcada por sua pluralidade artística, o canto, a dança e o contato com instrumentos musicais, por exemplo, abrem caminhos para quem busca vivências práticas e teóricas de pertencimento.
A professora de canto Mylane Mutti é a idealizadora da Cantoário, escola vocal com abordagem multidisciplinar que integra música, dança, teatro e outras manifestações artísticas. Já os percussionistas Alexandre Lins e Daniela Penna, com mais de três décadas de carreira, fundaram a Tocatambor ao notar a falta de um espaço dedicado a adultos sem experiência prévia com percussão. A proposta une a técnica ao aprofundamento na cultura afro-baiana.
“A Cantoário vai além do ensino tradicional. Somos um espaço de criação e acolhimento, onde cada voz encontra orientação técnica e conexão com seu território. Queremos gerar reflexão sobre a diversidade musical baiana e, para isso, estudamos as raízes em sala de aula para que os alunos absorvam a música compreendendo seu contexto histórico. Cantar é, também, preservar a memória de um lugar”, afirma Mylane Mutti.
Ao inserir os alunos em dinâmicas que valorizam a identidade local, iniciativas como a Cantoário e a Tocatambor ressignificam o aprendizado musical, transformando a arte em um meio de socialização e reconhecimento do próprio ambiente.
Para Alexandre Lins, difundir a cultura percussiva afro-baiana é um compromisso tão relevante quanto ensinar técnica ou entreter. “Nós não queríamos oferecer apenas o aprendizado técnico, mas também um conhecimento maior sobre a cultura percussiva afro-baiana, para que nossos alunos pudessem valorizá-la, entendendo sua importância. Sempre estamos transmitindo as técnicas, os ritmos e os arranjos junto com uma contextualização histórica. Se não houver esta preocupação com a memória, não haverá futuro para nossa música”, ressalta.
Próximos passos
Ambos os projetos preveem expansão. A Tocatambor projeta levar sua Oficina Percussiva a outras cidades, além de consolidar as “Vivências Percussivas”, voltadas ao universo corporativo, que utilizam a energia dos tambores para promover o trabalho em equipe. Na sequência, a ideia é criar uma base em São Paulo focada em ações de team building.
“Esperamos oferecer a possibilidade para o aluno de tocar percussão e transformar esta prática em algo que traga prazer e socialização. Chegam até nós depoimentos comoventes de como a escola se tornou um divisor de águas. As pessoas falam até de cura de patologias e que passaram a ter uma vida social mais rica. Não fazemos com este objetivo, mas a música tem este poder”, conta Alexandre.
Já na Cantoário, o foco está no desenvolvimento do Estúdio Ipê, uma estrutura acústica projetada para centralizar os ensaios e gravações da escola. “Nosso intuito é construir um negócio completo, com todas as necessidades de um cantor, para proporcionar um ambiente em que ele se sinta bem e seguro. Vamos estudar produção musical e investir na própria sala, porque a ideia é que o setor de gravação seja referência em captação vocal”, conclui Mylane.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Águeda Mascarenhas
