A Prefeitura de Salvador ampliou o Programa de Óleos e Gorduras Residuais (OGR) para incluir instituições que atendem pessoas com deficiência como pontos de coleta de óleo de cozinha usado. A nova etapa da iniciativa foi anunciada nesta terça-feira (28), no Centro Especializado em Reabilitação (CER II) de Cajazeiras, primeira instituição contemplada pelo projeto-piloto. Além de contribuir para a destinação ambientalmente adequada do resíduo, a coleta vai gerar recursos para fortalecer as atividades oferecidas aos usuários da unidade.
O evento reuniu o secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euller; a diretora de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Daiane Pina; além de representantes da APAE, de cooperativas de reciclagem e da comunidade.
O Programa de Óleos e Gorduras Residuais é desenvolvido pela Secis desde junho deste ano, dentro das ações do movimento Salvador Meio Ambiente, com a proposta de coletar e dar destinação adequada ao óleo de cozinha usado. O material é encaminhado por cooperativas credenciadas à unidade da Petrobras Biocombustível, em Candeias, onde é transformado em biodiesel, combustível renovável que contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
A partir de agora, organizações da sociedade civil passam a integrar a iniciativa como pontos de recebimento do material, ampliando o alcance da política pública e gerando benefícios ambientais e sociais para a comunidade.
O CER II de Cajazeiras, administrado pela APAE por meio de convênio com a Prefeitura, é a primeira instituição contemplada nessa nova etapa do projeto-piloto, que inicialmente será implantado em três organizações sociais. A expectativa é que, após a avaliação dos resultados, a iniciativa seja expandida para outras instituições do município.
Durante o evento, o secretário Ivan Euller lembrou que a parceria fortalece uma política pública já existente e cria uma nova rede de conscientização ambiental envolvendo organizações sociais. De acordo com ele, a cada litro de óleo arrecadado, o CER II receberá R$ 2, recurso que será utilizado para fortalecer as atividades desenvolvidas junto às famílias atendidas pela unidade.
“Muitas pessoas até separam o óleo em uma garrafa, mas não sabem o que fazer depois e acabam jogando tudo no lixo. Outras pessoas nem fazem isso e descartam diretamente na pia. Agora existe um ponto de coleta aqui em Cajazeiras, onde a população pode entregar o óleo usado. Essa é a proposta da Prefeitura: transformar essas organizações em pontos de recebimento de óleo, gerando benefícios tanto financeiros quanto ambientais”, disse.
Além da remuneração direta, todo o volume coletado será registrado no programa Recicla Capital, permitindo que a instituição acumule pontos que poderão ser convertidos em benefícios, como descontos na conta de energia elétrica e outros incentivos disponibilizados pelo município.
Para a diretora de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da Sempre, Daiane Pina, a iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal em garantir que as famílias atípicas participem das políticas públicas desenvolvidas pela Prefeitura.
“Estamos sempre buscando inserir as famílias atípicas em todas as ações realizadas pela Prefeitura. A pauta da sustentabilidade é muito forte em Salvador, e enxergamos neste espaço uma oportunidade de conscientizar essas famílias sobre a importância da preservação ambiental, ao mesmo tempo em que fortalecemos a instituição com uma nova fonte de recursos que será revertida em benefícios para os usuários”, afirmou.
Segundo Daiane, os recursos arrecadados não serão destinados diretamente às famílias, mas investidos em oficinas, cursos profissionalizantes, atividades educativas e outras ações promovidas pela unidade.
A coordenadora da APAE no CER II de Cajazeiras, Irlane Leite, disse que o projeto também terá um importante papel educativo. “Eu mesma guardava o óleo de cozinha em uma garrafa e depois descartava no lixo, sem saber que existia uma forma ambientalmente correta de fazer isso. Agora vamos trabalhar essa conscientização com as famílias, mostrando que elas podem contribuir para preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, fortalecer a instituição”, afirmou.
Educação ambiental – Além da coleta do óleo, a parceria prevê novas ações de educação ambiental. A proposta inclui atividades com crianças e familiares, distribuição de materiais educativos, implantação de uma horta suspensa e visitas ao Parque das Dunas quando a instituição alcançar a meta inicial de 25 litros de óleo arrecadados.
Atualmente, o programa da Secis já atua junto a grandes geradores, como bares, restaurantes e baianas de acarajé. Em parceria com a Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam), por exemplo, cerca de 100 profissionais já fazem a destinação adequada do óleo utilizado na fritura. De acordo com o titular da Secis, a expectativa é que a entrada das organizações da sociedade civil fortaleça ainda mais essa rede de coleta e conscientização.
“Muitas pessoas ainda descartam o óleo na pia ou no lixo por não conhecerem outra alternativa. Ao transformar essas instituições em pontos de coleta, aproximamos esse serviço da população e mostramos que um resíduo que antes poluía rios, redes de drenagem e o sistema de esgotamento sanitário pode ser convertido em benefícios para a própria comunidade. Esse é apenas o primeiro passo. Nossa intenção é ampliar a iniciativa para outras organizações e fazer com que ela alcance cada vez mais bairros de Salvador”, concluiu.
Fonte: Secom PMS
Foto: Jefferson Peixoto
